Doença de Trevor: o que é, sintomas, diagnóstico e tratamento

A Doença de Trevor, também conhecida como Displasia Epifisária Hemimélica, é uma condição rara que afeta o crescimento dos ossos durante a infância. Essa alteração óssea provoca o desenvolvimento assimétrico de cartilagem nas extremidades dos ossos longos, especialmente em articulações como tornozelos, joelhos e quadris.

Embora incomum, pode causar desconforto, deformidades visíveis e limitação dos movimentos, exigindo diagnóstico precoce e acompanhamento especializado.

A maioria dos casos é diagnosticada entre os 2 e 8 anos de idade, período em que as anormalidades se tornam mais evidentes com o crescimento da criança. Os sintomas variam de acordo com o grau de comprometimento e localização da lesão, mas costumam incluir dor articular, rigidez e dificuldade para realizar atividades simples.

O diagnóstico correto é fundamental para evitar complicações a longo prazo, como limitações funcionais ou problemas de alinhamento ósseo.

Neste artigo, você vai entender o que é a Doença de Trevor, quais são seus principais sintomas, como é feito o diagnóstico e quais as opções de tratamento mais indicadas.

O que é a Doença de Trevor e como afeta o crescimento ósseo

A Doença de Trevor, ou Displasia Epifisária Hemimélica, é uma condição óssea congênita rara caracterizada pelo crescimento anormal e assimétrico de cartilagem na epífise — a parte do osso responsável pelo crescimento durante a infância.

Essa proliferação excessiva de cartilagem leva à formação de massas semelhantes a osteocondromas (tumores benignos cartilaginosos), que afetam apenas um lado da epífise, causando deformidades e assimetrias visíveis no membro comprometido.

O distúrbio acomete com maior frequência os ossos longos dos membros inferiores, como o fêmur, a tíbia e o tálus, sendo mais comum em meninos. A condição pode se apresentar de forma localizada (afetando uma única articulação), clássica (envolvendo vários pontos do mesmo membro) ou generalizada (atingindo amplas áreas).

Por crescer junto com a criança, o tecido cartilaginoso anômalo pode alterar o desenvolvimento ósseo, gerando desvios no alinhamento, diferença de comprimento entre os membros e limitação progressiva dos movimentos articulares.

Ao interferir na formação adequada do osso, a Doença de Trevor compromete o desenvolvimento funcional da articulação afetada, especialmente em fases críticas do crescimento. Essa alteração pode dificultar atividades comuns, causar dor e impactar a qualidade de vida da criança. Por isso, a identificação precoce da doença é essencial para um planejamento terapêutico eficaz, que visa corrigir deformidades e preservar o máximo possível da função articular.

Sintomas e diagnóstico da Doença de Trevor

Os sintomas da Doença de Trevor variam de acordo com a localização e a extensão do crescimento ósseo anormal, mas geralmente aparecem entre os 2 e 8 anos de idade.

Os sinais mais comuns incluem aumento de volume em uma articulação, dor ao se movimentar, rigidez e limitação nos movimentos, especialmente em tornozelos e joelhos. Em alguns casos, a criança pode apresentar deformidade visível ou dificuldade para andar, o que leva pais ou cuidadores a buscar avaliação médica.

À medida que o crescimento assimétrico da cartilagem se intensifica, a articulação afetada pode ficar desalinhada ou travada, comprometendo a mobilidade e a função. Em formas mais graves, pode ocorrer diferença no comprimento dos membros, o que altera a marcha e favorece o surgimento de dores compensatórias em outras regiões do corpo, como quadris ou coluna.

O diagnóstico da Doença de Trevor é feito com base na avaliação clínica e em exames de imagem. A radiografia geralmente revela massas ósseas cartilaginosas irregulares próximas à epífise. Já a ressonância magnética é fundamental para visualizar a extensão da lesão, diferenciar de outras doenças e planejar o tratamento.

O diagnóstico precoce é essencial para evitar complicações futuras e orientar a melhor abordagem terapêutica, que pode variar conforme o grau de comprometimento e os sintomas apresentados pela criança.

Tratamento da Doença de Trevor: cirurgia e manejo do risco de recorrência

O tratamento da Doença de Trevor depende da gravidade dos sintomas, da localização da lesão e do impacto funcional sobre a articulação afetada. Em casos leves, quando não há dor ou limitação importante, o acompanhamento clínico com exames periódicos pode ser suficiente.

Nesses pacientes, o foco é monitorar o crescimento da cartilagem anormal e garantir que não haja progressão que comprometa o alinhamento ou o movimento do membro.

Quando a condição provoca dor, deformidade visível ou restrição significativa de mobilidade, a intervenção cirúrgica passa a ser indicada. O procedimento mais comum é a ressecção da massa cartilaginosa, ou seja, a retirada do crescimento ósseo anômalo que interfere na articulação.

Em alguns casos, pode ser necessário realizar osteotomias (cortes planejados no osso) para corrigir o alinhamento ou igualar o comprimento dos membros. O objetivo da cirurgia é aliviar os sintomas, restaurar a função e prevenir deformidades permanentes.

Apesar da remoção cirúrgica, a doença pode apresentar recorrência, especialmente em lesões localizadas dentro da articulação (intra-articulares). Por isso, o acompanhamento ortopédico contínuo é essencial após a cirurgia, com controle clínico e radiológico para identificar precocemente qualquer novo crescimento.

A fisioterapia também desempenha papel importante na reabilitação, ajudando a recuperar força, mobilidade e funcionalidade da articulação operada. Com diagnóstico precoce e manejo adequado, muitos pacientes conseguem manter uma vida ativa e com boa qualidade de movimento.

Conclusão

A Doença de Trevor, embora rara, pode impactar de forma significativa o crescimento ósseo e a mobilidade das crianças. Reconhecer os sinais precoces, como dor, rigidez e deformidades articulares, é fundamental para garantir um diagnóstico preciso e um tratamento eficaz.

Quanto mais cedo a condição é identificada, maiores são as chances de preservar a função do membro afetado e evitar complicações futuras.

Com o avanço das técnicas de imagem e das abordagens cirúrgicas, é possível tratar a displasia epifisária hemimélica de forma segura, corrigindo deformidades e promovendo melhor qualidade de vida.

O acompanhamento médico contínuo e a reabilitação adequada são fundamentais para reduzir o risco de recorrência e assegurar o desenvolvimento saudável da criança. Em casos suspeitos, a avaliação por um ortopedista pediátrico especializado é indispensável para orientar as melhores decisões terapêuticas.

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