O que é a doença de Blount e como é tratada

A Doença de Blount é uma alteração ortopédica que afeta o crescimento da tíbia, o osso localizado na parte inferior da perna, e provoca uma curvatura anormal para fora, semelhante a pernas arqueadas.

Embora seja mais comum em crianças pequenas e adolescentes, muitas pessoas ainda confundem o problema com um arqueamento natural dos membros, o que pode atrasar o diagnóstico e o tratamento adequado.

Neste artigo, você vai entender o que é a Doença de Blount, quais são suas causas e sintomas, e descobrir como é feito o tratamento, tanto nas fases iniciais quanto nos casos mais avançados.

O que é a Doença de Blount: causas, tipos e fatores de risco

A Doença de Blount é uma alteração no crescimento da tíbia, o osso localizado na parte interna da perna, logo abaixo do joelho. Nessa condição, a parte interna da tíbia cresce mais lentamente do que a parte externa, fazendo com que a perna se curve para fora.

Essa curvatura é diferente do arqueamento natural que muitas crianças pequenas apresentam ao começar a andar, pois, em vez de melhorar com o tempo, tende a piorar se não for tratada.

As causas exatas da Doença de Blount ainda não são totalmente conhecidas, mas acredita-se que estejam relacionadas a uma combinação de fatores genéticos e mecânicos.

O excesso de peso e o início precoce da caminhada aumentam a pressão sobre as placas de crescimento da tíbia, o que pode interferir no desenvolvimento normal do osso. Em alguns casos, há também uma predisposição familiar, o que significa que a condição pode ocorrer em mais de uma pessoa da mesma família.

Existem dois tipos principais da doença: a forma infantil, que aparece antes dos 4 anos de idade, e a forma juvenil ou adolescente, que surge após os 10 anos. A forma infantil costuma afetar ambas as pernas e pode ser tratada com mais facilidade quando identificada cedo. Já a forma juvenil, geralmente ligada ao excesso de peso e ao crescimento rápido, tende a afetar apenas uma perna e pode ser mais difícil de corrigir.

Os fatores de risco mais comuns incluem obesidade infantil, início precoce da marcha, histórico familiar e algumas características genéticas que tornam as placas de crescimento mais sensíveis à pressão.

Crianças de origem africana e latina também apresentam maior incidência da doença, segundo estudos ortopédicos.

Entender essas causas e fatores é essencial para o diagnóstico precoce. Quando identificada a tempo, a Doença de Blount pode ser tratada de forma eficaz, evitando que a curvatura se agrave e afete a qualidade de vida da criança.

Diagnóstico da Doença de Blount: sintomas, exames e evolução

O diagnóstico da Doença de Blount começa com a observação cuidadosa dos sinais que a criança apresenta. O sintoma mais evidente é o arqueamento acentuado das pernas, especialmente abaixo dos joelhos.

Diferente da curvatura normal que algumas crianças têm ao começar a andar, na Doença de Blount a curvatura tende a aumentar com o tempo, em vez de melhorar. Os pais também podem perceber que a criança sente dor ao caminhar, manca com frequência ou tem uma perna aparentemente mais curta do que a outra.

Durante a consulta, o ortopedista infantil realiza um exame físico detalhado, avaliando o alinhamento das pernas, a forma de caminhar e o grau de arqueamento. Caso haja suspeita da doença, o médico solicita exames de imagem, como radiografias dos membros inferiores, que mostram com clareza as alterações na tíbia e nas placas de crescimento.

Em alguns casos, podem ser pedidos exames mais detalhados, como ressonância magnética, para avaliar a extensão da deformidade e planejar o tratamento adequado.

O diagnóstico também envolve diferenciar a Doença de Blount de outras condições que causam arqueamento, como o raquitismo (deficiência de vitamina D). Por isso, o acompanhamento com um especialista é essencial, pois apenas um profissional treinado consegue distinguir um arqueamento fisiológico — que melhora com o tempo — de um quadro patológico que exige intervenção.

Sem tratamento, a Doença de Blount tende a evoluir de forma progressiva. A curvatura aumenta, a perna pode ficar desalinhada e o joelho sofre mais sobrecarga, levando a dor e dificuldade para andar. Com o avanço da idade, isso pode resultar em problemas articulares e limitações permanentes.

Quanto mais cedo o diagnóstico for feito, maiores são as chances de corrigir a deformidade sem cirurgia. Por isso, observar as mudanças nas pernas da criança e buscar ajuda médica o quanto antes é a melhor forma de garantir um crescimento saudável e prevenir complicações futuras.

Tratamento da Doença de Blount: opções cirúrgicas e não cirúrgicas

O tratamento da Doença de Blount depende da idade da criança, do grau de curvatura e do estágio de desenvolvimento da doença. Quanto mais cedo o diagnóstico é feito, maiores são as chances de sucesso com métodos simples e menos invasivos.

O objetivo do tratamento é corrigir o desalinhamento da perna, permitir o crescimento normal do osso e evitar que a deformidade se torne permanente.

Nos casos iniciais, especialmente em crianças menores de 3 anos, o tratamento costuma ser não cirúrgico. O uso de órteses, como o aparelho tipo brace (que vai do joelho ao tornozelo), ajuda a corrigir o ângulo da perna e guiar o crescimento ósseo de forma adequada.

Esse tipo de tratamento exige acompanhamento regular com o ortopedista, pois o aparelho precisa ser ajustado conforme a criança cresce. Além disso, o controle do peso corporal e o fortalecimento muscular com fisioterapia podem contribuir para melhores resultados.

Quando a curvatura é mais acentuada ou o diagnóstico é feito em idades maiores, o tratamento cirúrgico passa a ser indicado. Existem diferentes técnicas, escolhidas de acordo com a gravidade da deformidade.

Uma das mais comuns é a osteotomia, que consiste em cortar e realinhar o osso da tíbia, fixando-o com placas, pinos ou parafusos. Em outros casos, pode ser realizada a cirurgia de crescimento guiado, na qual pequenas placas metálicas são colocadas para controlar o crescimento do osso e corrigir o alinhamento gradualmente.

Após a cirurgia, o paciente precisa de um período de reabilitação com fisioterapia, essencial para recuperar a força, o equilíbrio e o movimento normal da perna. O retorno às atividades deve ser gradual, sempre com acompanhamento médico. O tempo de recuperação varia conforme o tipo de cirurgia e a resposta individual de cada criança.

Com diagnóstico precoce e tratamento adequado, a maioria dos pacientes com Doença de Blount tem excelente prognóstico. Corrigir o problema a tempo evita dores futuras, preserva a função das articulações e permite que a criança cresça com uma postura equilibrada e saudável.

Conclusão

A Doença de Blount, embora pareça simples no início, é uma condição que merece atenção e acompanhamento especializado. Reconhecer os sinais precoces é essencial para garantir um diagnóstico rápido e um tratamento eficaz.

Quando identificada nas fases iniciais, a doença pode ser controlada com métodos menos invasivos, evitando complicações que poderiam comprometer o crescimento e o alinhamento das pernas.

O papel dos pais e cuidadores é fundamental nesse processo, pois são eles que percebem as primeiras mudanças na forma de caminhar e na postura da criança. Procurar um ortopedista infantil ao notar algo fora do comum é o primeiro passo para garantir um desenvolvimento saudável.

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