O Que é a Doença de Freiberg e como ela afeta o pé?

Você já sentiu dor persistente na parte da frente do pé ao caminhar, correr ou usar salto alto?

Esse sintoma pode estar relacionado a uma condição chamada Doença de Freiberg — uma necrose avascular que afeta principalmente o segundo metatarso, causando dor, rigidez e até deformações ósseas no pé. Apesar de pouco conhecida, essa doença pode comprometer significativamente a mobilidade e a qualidade de vida se não for diagnosticada e tratada corretamente.

Neste artigo, você vai entender o que é a Doença de Freiberg, quais são as causas mais frequentes, os principais sintomas e como ela pode afetar a estrutura e o funcionamento do pé.

Doença de Freiberg: O que é e principais causas

A Doença de Freiberg, também chamada de osteocondrose do metatarso, é uma condição ortopédica caracterizada pela necrose avascular da cabeça de um osso do pé, geralmente o segundo metatarso.

Isso significa que a irrigação sanguínea dessa região é interrompida parcial ou totalmente, resultando em morte celular do osso e deformações estruturais progressivas. Essa alteração pode levar à perda da forma arredondada da cabeça do osso, causando dor, rigidez e limitação de movimentos na articulação metatarsofalângica.

A condição é mais comum em adolescentes do sexo feminino, especialmente durante o estirão de crescimento, quando a cartilagem óssea é mais vulnerável a lesões. No entanto, adultos também podem desenvolver a doença, principalmente se houver predisposição anatômica — como um segundo metatarso mais longo — ou sobrecarga constante nos pés.

Por isso, pessoas que usam salto alto com frequência, atletas e praticantes de esportes de impacto estão entre os grupos de risco.

Entre as principais causas da Doença de Freiberg estão os microtraumas repetitivos, que comprometem gradualmente a circulação sanguínea local; anomalias biomecânicas, como desalinhamentos dos metatarsos; e possíveis fatores genéticos ou hormonais.

Condições sistêmicas, como diabetes, lúpus ou distúrbios vasculares, também podem contribuir para o aparecimento do problema. Mesmo com causas variadas, o resultado é o mesmo: a degeneração progressiva do osso e o surgimento de dor no antepé que pode limitar as atividades do dia a dia.

Sintomas: Dor no Antepé, Rigidez e Alterações na Marcha

Os sintomas da Doença de Freiberg geralmente se desenvolvem de forma progressiva, à medida que a necrose avascular compromete a estrutura da cabeça do metatarso.

O sinal mais característico é a dor no antepé, especialmente sobre o segundo ou terceiro metatarso, que tende a piorar com atividades de impacto ou uso prolongado de calçados apertados ou de salto alto. A dor pode começar como um incômodo leve e intermitente, mas, com o tempo, torna-se constante e mais intensa.

Outro sintoma comum é a rigidez articular na base dos dedos do pé, dificultando a movimentação natural dos mesmos. A rigidez pode se manifestar principalmente ao iniciar a caminhada, ao se levantar após longos períodos sentado ou durante a prática de atividades físicas.

Com a progressão da doença, é possível notar inchaço na parte superior do pé, sensibilidade ao toque e, em alguns casos, estalidos ou sensação de bloqueio articular ao movimentar o dedo afetado.

Além disso, a Doença de Freiberg pode gerar alterações na marcha, pois o paciente tende a evitar o apoio sobre a área dolorida. Isso leva a um padrão de pisada irregular e potencialmente leves ou compensações que sobrecarregam outras regiões do pé, tornozelo ou até joelho.

Muitos pacientes descrevem a sensação de "pisar sobre uma pedra", mesmo usando calçados confortáveis. Esses sintomas não apenas comprometem o conforto ao caminhar, mas também limitam a participação em atividades esportivas e rotinas do dia a dia, exigindo atenção médica especializada.

Como Diagnosticar a Doença de Freiberg

O diagnóstico da Doença de Freiberg começa com uma avaliação clínica detalhada, realizada por um ortopedista. Durante a consulta, o médico investiga o histórico de dor no antepé, presença de rigidez articular e alterações na marcha.

A dor localizada sobre o segundo ou terceiro metatarso, associada à dificuldade de movimentar o dedo correspondente, é um forte indicativo da condição. A inspeção física também pode revelar inchaço, sensibilidade ao toque e limitação de movimento da articulação metatarsofalângica.

Para confirmar o diagnóstico, o exame mais utilizado é a radiografia do pé, preferencialmente em diferentes ângulos. Nos estágios iniciais, a imagem pode mostrar apenas leve achatamento da cabeça do metatarso, mas, conforme a doença avança, surgem sinais mais evidentes como esclerose óssea, fragmentação da cabeça metatarsal, colapso articular e perda do espaço articular.

Em casos precoces ou duvidosos, o médico pode solicitar uma ressonância magnética, que permite identificar alterações ósseas e inflamatórias antes mesmo de aparecerem na radiografia.

O impacto da Doença de Freiberg sobre a biomecânica do pé pode ser significativo. Se não tratada, a necrose pode evoluir para um colapso completo da articulação, resultando em dor crônica, deformidade óssea e limitação funcional permanente.

Isso pode comprometer atividades simples como caminhar, dirigir ou praticar esportes, além de levar a compensações posturais que sobrecarregam outras articulações. Por isso, o diagnóstico precoce é essencial para evitar complicações e iniciar o tratamento adequado ainda nos estágios iniciais da doença.

Conclusão

A Doença de Freiberg é uma condição ortopédica que, embora rara, pode causar dor significativa, rigidez e limitação funcional no pé, especialmente na região do antepé.

Sua origem está relacionada à necrose avascular da cabeça do metatarso, afetando mais frequentemente o segundo osso metatarsal e impactando diretamente a mobilidade e a qualidade de vida do paciente. Entender os sintomas, como dor ao caminhar e alterações na marcha, é fundamental para buscar ajuda médica especializada o quanto antes.

Se você ou alguém próximo apresentar dores recorrentes no antepé ou dificuldade ao caminhar, procure um ortopedista para avaliação.

Compartilhe este artigo com amigos, familiares ou profissionais da saúde para que mais pessoas conheçam a Doença de Freiberg, seus sintomas e opções de tratamento. Informação é sempre o primeiro passo para o cuidado adequado.

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