Síndrome do desfiladeiro torácico: entenda a condição que afeta o pescoço e os ombros

A síndrome do desfiladeiro torácico é uma condição ainda pouco conhecida, mas que pode causar grande impacto na qualidade de vida.

Caracterizada pela compressão de nervos e vasos sanguíneos na região entre o pescoço e os ombros, essa síndrome afeta principalmente pessoas que realizam movimentos repetitivos com os braços ou mantêm posturas inadequadas por longos períodos.

Os sintomas, que incluem dor, formigamento, fraqueza muscular e até inchaço nos membros superiores, costumam ser confundidos com outras doenças, o que dificulta o diagnóstico precoce.

Neste artigo, você vai entender melhor o que é a síndrome do desfiladeiro torácico, suas principais causas, sintomas, tipos, métodos de diagnóstico e opções de tratamento.

Causas e Fatores de Risco da Síndrome do Desfiladeiro Torácico

A síndrome do desfiladeiro torácico (SDT) ocorre quando há compressão dos nervos, veias ou artérias na região entre a clavícula e a primeira costela — área conhecida como desfiladeiro torácico. Essa compressão pode ter várias origens, e entender suas causas é fundamental para a prevenção e o tratamento adequado da condição.

Entre as principais causas da síndrome do desfiladeiro torácico, destacam-se:

  • Anomalias anatômicas, como a presença de uma costela cervical (extra), músculos escalenos hipertrofiados ou bandas fibrosas que comprimem estruturas nervosas e vasculares.
  • Traumas físicos, como acidentes de trânsito ou quedas que afetam o pescoço e ombros, também podem desencadear a síndrome ao alterar a anatomia ou gerar inflamações na região.
  • Causas estruturais, existem diversos fatores de risco que aumentam a chance de desenvolver a SDT.
  • Movimentos repetitivos com os braços elevados — comuns em profissões como cabeleireiros, pintores e atletas — podem sobrecarregar o desfiladeiro torácico.
  • Má postura, especialmente ao trabalhar sentado por longos períodos com os ombros caídos ou a cabeça projetada para frente, também contribui para a compressão local.
  • Outros fatores incluem obesidade, gravidez (devido a alterações hormonais e posturais) e predisposição genética. Mulheres entre 20 e 50 anos são mais afetadas, possivelmente por diferenças anatômicas e hormonais.

Reconhecer esses fatores é essencial para a prevenção da síndrome do desfiladeiro torácico, principalmente entre pessoas que realizam atividades de risco.

Ajustes na postura, fortalecimento muscular e pausas regulares durante o trabalho ou o treino são estratégias eficazes para proteger a região cervical e torácica e evitar a evolução dos sintomas.

Sintomas Mais Comuns e Tipos da Síndrome

Os sintomas da síndrome do desfiladeiro torácico podem variar bastante de pessoa para pessoa, dependendo do tipo de estrutura comprimida — nervos, veias ou artérias.

Essa diversidade de manifestações clínicas muitas vezes dificulta o diagnóstico, já que os sinais podem ser confundidos com outras condições ortopédicas ou neurológicas, como hérnias cervicais ou tendinites.

Ainda assim, alguns sintomas são considerados clássicos e merecem atenção.

Entre os sintomas mais comuns da síndrome do desfiladeiro torácico, estão dor e formigamento no pescoço, ombro, braço e mão. É comum também sentir fraqueza muscular, perda de sensibilidade nos dedos e sensação de peso ou fadiga no membro superior, especialmente após levantar os braços ou carregar peso.

Em alguns casos, há inchaço, alteração na coloração da pele e até sensação de pulsação reduzida no pulso.

A SDT é classificada em três tipos principais, de acordo com a estrutura afetada:

  • Síndrome do Desfiladeiro Torácico Neurogênica: É o tipo mais comum, responsável por cerca de 90% dos casos. Ocorre pela compressão dos nervos do plexo braquial. Os sintomas incluem dor, dormência, formigamento e perda de força nos braços e mãos, podendo piorar com atividades que exigem elevação dos ombros.
  • Síndrome do Desfiladeiro Torácico Venosa: Neste tipo, ocorre compressão da veia subclávia, o que pode levar a inchaço no braço, sensação de peso, coloração azulada da pele (cianose) e veias dilatadas visíveis, especialmente após esforço físico
  • Síndrome do Desfiladeiro Torácico Arterial: É a forma mais rara e grave, causada pela compressão da artéria subclávia. Pode provocar palidez, frio no braço, diminuição do pulso e, em casos extremos, formação de coágulos ou aneurismas.

Identificar corretamente o tipo de síndrome do desfiladeiro torácico é essencial para definir o tratamento adequado. Por isso, ao notar sintomas persistentes ou recorrentes nos membros superiores, especialmente após esforço ou movimentos repetitivos, é fundamental procurar avaliação médica especializada.

Como é Feito o Diagnóstico e Tratamento

O diagnóstico da síndrome do desfiladeiro torácico exige uma abordagem cuidadosa, já que os sintomas se assemelham aos de outras condições musculoesqueléticas e neurológicas.

O primeiro passo é uma avaliação clínica detalhada, que inclui análise do histórico do paciente, descrição dos sintomas e exame físico com testes provocativos. Entre eles, destacam-se os testes de Adson, Roos e Wright, que ajudam a reproduzir os sintomas e identificar o local da compressão.

Para confirmar o diagnóstico, o médico pode solicitar exames de imagem, como raio-X (para verificar a presença de costelas cervicais ou alterações ósseas), ressonância magnética e tomografia computadorizada.

Em casos de suspeita de compressão vascular, exames como ultrassonografia com Doppler, venografia ou arteriografia são essenciais para visualizar o fluxo sanguíneo e possíveis obstruções. Além disso, a eletromiografia pode ser utilizada para avaliar o funcionamento dos nervos do braço e detectar sinais de lesão neurológica.

O tratamento da síndrome do desfiladeiro torácico pode ser conservador ou cirúrgico, dependendo da gravidade dos sintomas e do tipo da condição.

A abordagem conservadora é geralmente a primeira opção e inclui:

  • Fisioterapia: Com foco em exercícios de alongamento, fortalecimento da musculatura do pescoço e ombros, e correção postural. É uma das formas mais eficazes de aliviar a compressão e melhorar a mobilidade.
  • Medicação: O uso de anti-inflamatórios, relaxantes musculares e analgésicos ajuda a controlar a dor e reduzir a inflamação local.
  • Mudanças no estilo de vida: Evitar atividades repetitivas, adotar posturas adequadas e fazer pausas durante o trabalho ou treinos são medidas importantes na prevenção e controle da SDT.

Nos casos em que não há melhora com o tratamento conservador, ou quando há risco vascular grave, a cirurgia de descompressão torácica pode ser indicada.

O procedimento pode envolver a remoção da primeira costela, liberação dos músculos escalenos ou retirada de bandas fibrosas, com o objetivo de aliviar a pressão sobre os nervos e vasos sanguíneos.

A recuperação cirúrgica costuma ser gradual, podendo levar de alguns meses a um ano, com acompanhamento fisioterapêutico essencial para restaurar a função completa do membro afetado.

Buscar diagnóstico precoce e tratamento adequado é a chave para evitar complicações permanentes e recuperar a qualidade de vida.

Conclusão

A síndrome do desfiladeiro torácico é uma condição que, apesar de pouco conhecida, pode causar grande desconforto e limitar significativamente as atividades do dia a dia.

Com sintomas que afetam o pescoço, os ombros e os membros superiores, ela exige atenção tanto para o diagnóstico correto quanto para a escolha do tratamento mais adequado. Entender as causas, reconhecer os sinais e conhecer os tipos da síndrome é essencial para agir precocemente e evitar complicações mais graves.

Se você ou alguém próximo tem apresentado dores frequentes no pescoço, ombros ou braços, especialmente após esforço físico ou posturas prolongadas, não ignore esses sinais. Procurar um ortopedista ou neurologista de confiança pode fazer toda a diferença na sua saúde e bem-estar.

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