A menopausa costuma ser lembrada pelas ondas de calor, alterações no sono e mudanças de humor. Mas muitas mulheres também percebem mais rigidez ao acordar, dores nos joelhos, mãos, quadris, ombros ou coluna. Em alguns casos, essas queixas podem estar relacionadas às mudanças hormonais dessa fase.
A redução do estrogênio é um dos fatores envolvidos. Esse hormônio participa de processos ligados aos ossos, músculos, tendões e à própria percepção da dor. Com sua queda, algumas mulheres passam a sentir desconfortos que antes eram discretos ou sequer existiam.
Ainda assim, nem toda dor articular que aparece nessa fase é causada pelos hormônios. Artrose, tendinites, lesões e outras condições podem apresentar sintomas parecidos. Por isso, entender o padrão da dor ajuda a saber quando a menopausa pode estar envolvida e quando é importante investigar outras causas.
Durante a perimenopausa e a menopausa, os níveis de estrogênio passam por oscilações e depois diminuem de forma mais acentuada. Essa mudança pode influenciar mecanismos relacionados à inflamação e aumentar a sensibilidade à dor.
Ao mesmo tempo, é comum ocorrer perda gradual de massa muscular com o passar dos anos. Quando a musculatura responsável por estabilizar as articulações perde força, regiões como joelhos, quadris e coluna podem sofrer maior sobrecarga.
Por isso, o desconforto muitas vezes não tem uma única causa. Alterações hormonais podem se somar ao sedentarismo, ganho de peso, perda de força muscular e desgaste articular.
Não existe um sinal isolado capaz de confirmar que uma dor é provocada pela menopausa. O momento em que os sintomas começaram e a maneira como eles evoluem ajudam bastante na avaliação.
A influência hormonal pode ser considerada quando dores e rigidez surgem durante a transição menopausal, principalmente quando aparecem junto de outros sintomas, como ondas de calor, alterações menstruais ou mudanças no sono.
Por outro lado, alguns sinais merecem uma investigação mais cuidadosa, como:
Também é possível que a mulher tenha alterações da menopausa e um problema ortopédico ao mesmo tempo. Por isso, não é indicado atribuir automaticamente toda dor à mudança hormonal.
Quando o desconforto dificulta caminhar, subir escadas, praticar exercícios, trabalhar ou dormir, é importante procurar avaliação. O objetivo é identificar a origem do problema e evitar tratar apenas o sintoma.
A atividade física costuma ser uma importante aliada. Exercícios de fortalecimento ajudam a preservar massa muscular e dar mais suporte às articulações, enquanto atividades de mobilidade podem reduzir a rigidez.
Outros cuidados também fazem diferença, como manter uma rotina ativa, cuidar do sono e controlar o peso corporal. Dependendo do caso, pode ser necessário acompanhamento conjunto com ortopedista, ginecologista ou reumatologista.
A terapia hormonal pode ser indicada para algumas mulheres por diferentes motivos relacionados à menopausa, mas não deve ser iniciada por conta própria com o objetivo específico de tratar dores articulares.
A menopausa pode contribuir para dores e rigidez nas articulações, mas ela não explica automaticamente todo desconforto que surge nessa fase. Muitas vezes, fatores hormonais, musculares e ortopédicos estão presentes ao mesmo tempo.
Observar quando a dor começou, quais regiões são afetadas e o quanto ela interfere na rotina ajuda a direcionar melhor a investigação. Com avaliação adequada e cuidados individualizados, é possível preservar força, mobilidade e qualidade de vida durante e após a menopausa.